terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Um Pedaço do Rio Fora  dos Roteiros Oficiais
...mas nem por isso menos carioca.

"Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor

Eu fui a Penha, fui pedir a padroeira para me ajudar”


Ao contrário do que  diz a música, eu fui à Penha não para pedir mas, para agradecer. Subi os degraus sob um sol escaldante ( às 10h30.) e cheguei à Igreja banhado de suor e exausto. Lá chegando fiz o que é de praxe em uma igreja e  depois desci as escadarias. Como ninguém é de ferro, parei numa lanchonete, onde os funcionários e gerente me conhecem e fiz um lanche,. Conversei, brinquei com eles e depois passei no supermercado para fazer algumas compras básicas. Compras feitas, entrei no  ônibus que me deixaria em casa. Como houve mudanças com a implantação do BRT, esqueci que o ponto onde estava, passam ônibus com dois destinos: o ponto final e a Tijuca. O que deveria ter pego. Mas como podem concluir, peguei o que ia para o final. Depois de algum tempo, percebi  que ele estava se dirigindo à Vila Cruzeiro, reduto do Adriano, não o romano mas o daqui mesmo e, nem por isso, menos imperador.  Resolvi relaxar e ir até o final para pegar o de volta. Só que o ônibus começou a entrar em ruas que não conhecia e, depois de algum tempo, me dei conta que estava no interior da Vila. Ao perceber um ônibus em uma das esquinas com o letreiro Tijuca, resolvi saltar é me dirigi a tal rua.  Ao chegar, o ônibus  já havia saído. No local  onde parei, embaixo de uma árvore, pois já era quase uma hora da tarde, havia um muro em frente com alguns pneus e lixo em combustão. Não pude deixar de pensar, diante daquela paisagem, no “microondas”. Percebendo um senhor sentado na rua, perguntei se ali era  ponto de ônibus e ele afirmou que sim. Perguntei, ainda, onde encontraria um bar para tomar uma água. Depois de agradecer, me dirigi ao bar que o senhor havia  indicado, entrei, cumprimentei a todos e pedi uma coca cola. O dono  educadamente sugeriu que eu sentasse, o que fiz.  Paguei e agradeci com o pedido gentil de volte sempre.   Voltei ao ponto e  com as bolsas nas mãos fiquei aguardando o ônibus. Pela rua passavam motos pilotadas por rapazes sem camisas, outras com agregados na garupa (namoradas, mulheres e filhos, acredito eu), vários mototaxistas com seus respectivos passageiros, sem contar o número de carros de luxo que desfilavam a minha frente. O foguinho (não confundi com o personagem de uma novela global) a toda hora emitia um  estalido que lembrava  tiro e me deixava tenso.  Olhava a imensidão do morro em volta envolto por “”nuvens”  passageiras que com o vento se vai”. Como todos estão cansados de saber, as nuvens não são  passageiras e nem o vento as leva”.  Estão lá e acredito que continuarão por muito tempo, amedrontando gente que como eu ousa em enveredar pelas ruas do bairro, ou fazendo a felicidade de outros. Finalmente, o ônibus veio e eu pude chegar ao meu destino final: minha casa.  Após o que vivenciei , não pude deixar de pensar em Regina Casé e sua obsessão pela periferia. Tenho que admitir que ela está certa. Ela é ameaçadora, estranha. instigante, solidária,  simples sem ser simplória, com uma variedade de tipos e estilos impressionantes. Nela não há espaço para o tédio. Tudo é muito elétrico e mutante. Não é por acaso que ela toma a cada momento a fatia que lhe cabe por direito  na cultura da cidade e, por extensão, do país. É o espaço (personagens) segregado que Lima Barreto e João do Rio transformaram em material de suas obras, se firmando  agora pela voz de  seus próprios personagens. 

domingo, 1 de fevereiro de 2015


          Saí para ir à padaria e chegando lá resolvi beber uma cerveja. De repente, comecei a conversar com outros fregueses sobre os times de futebol. A TV da padaria estava sintonizada na GloboNews, que anunciava uma pesquisa entres os parlamentares que amanhã estarão reunidos em Brasília, sobre as preferências futebolísticas. A maioria, como não poderia deixar de ser, é flamenguista, depois vinham na preferência, Corinthians, Fluminense, Botafogo e finalmente ele.... Será que alguém tem coisa melhor para aproximar as pessoas num bar, do que time de futebol? Duvido. Ao sair, me deparei com uma cena incrível. Em uma barraca que vende frutas e legumes, estava deitado um sujeito dormindo e, a sua volta. várias velas nas cores preto e vermelho acesas, alem de uma garrafa de cerveja. Infelizmente, não pude registrar a cena, pois tinha deixado o celular recarregando em casa. Uma pena!